Barra funda-Brás(il)

Oito da noite, voltando para casa (o que seria na verdade uma moradia temporária na casa de amigos), penso no longo trajeto, mais ou menos três horas até lá. Garoa chatinha, mas pelo menos peguei carona de kombi, não posso reclamar. Enjoada de novo. Mas pelo menos a estação da Barra Funda tá bem vazia. Lembro que tenho um bilhete do metrô guardado e não vou gastar R$3,80 pra passagem, da pra comprar um doce com isso. Ou pegar ônibus outro dia.

Chego na plataforma, onde sinto o frio obrigando a colocar outra blusa. Goleiro defende. Um moço vibra. Olho o relógio, são oito e dez. Ele diz para um senhor que se o Neymar fizer, é ouro. Ah, olimpíadas, né. Entro no vagão e sento de frente, pra não ficar mais enjoada. Neymar faz. É ouro. Ouço algumas comemorações de longe e fico imaginando a felicidade com pequenas coisas. Minha felicidade foi ter colocado músicas e voltar no transporte ouvindo coisas que me fazem bem.

Penso nas coisas que posso fazer amanhã. Domingo é um dia legal, se você está com quem gosta e faz coisas que te fazem bem. Espero que não esteja chovendo quando eu chegar. O metrô tem cada vez mais gente, mas já já vou descer e ir pro trem, pra depois pegar outro ônibus. É uma viagem, mas aproveito com a felicidade que o ouro do futebol me deu. Não pelo ouro, não pelo futebol, não pelas olimpíadas. Por lembrar das coisas pequenas, da felicidade alheia, do amor e empatia que a gente sente de graça quando vê alguém feliz. Chegou no Brás, é aqui que eu desembarco.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s